Definição
de surdez no modelo clínico-terapêutico:
=>Um
termo muito usado neste modelo é deficiência
auditiva e sugere a redução
ou ausência da
capacidade para ouvir
determinados sons,
devido a fatores que
afetam o aparelho auditivo.
=>Distúrbio de audição,
diminuição da capacidade
auditiva em diferentes graus de intensidade,
podendo ser de caráter transitório
ou definitivo, estacionário
ou progressivo.
=> “É a
ausência, dificuldade, inabilidade
para ouvir sons específicos, ambientais
e os sons da fala humana." (Silvania
Maia Silva Dias - Fonoaudióloga).
Neste modelo, "o
surdo é considerado uma pessoa
que não ouve e, portanto, não
fala. É definido por suas características
negativas; a educação se
converte em terapêutica, o objetivo
do currículo escolar é dar
ao sujeito o que lhe falta: a audição,
e seu derivado: a fala." (Carlos
Skliar - Fonoaudiólogo
- Argentino).
"Medicalizar
a surdez significa orientar
toda a atenção à cura
do problema auditivo, à correção
de defeitos da fala, ao
treinamento de certas habilidades
menores,
mais que a interiorização
de instrumentos culturais
significativos, como a
língua de sinais.
E significa também
opor e dar prioridade ao
poderoso
discurso da medicina frente à débil
mensagem da pedagogia." (Carlos
Skliar - Fonoaudiólogo
- Argentino)
Nesta
visão clínico-terapêutica:
• utiliza-se
de uma pedagogia
corretiva;
• existe
a intenção de correção,
normalização;
• emprega-se
currículo
para educandos com
atraso
cognitivo;
• currículo
para ouvintes;
• currículo
para pessoas com dificuldades lingüísticas;
• currículo
audiológico/audiométrico;
• currículo
de beneficência laboral.
Definição
de surdez no modelo sócio-antropológico:
É uma
concepção moderna
da surdez defendida em todo o
mundo por profissionais de várias áreas
de interesse da surdez, em especial
lingüistas, pedagogos e
professores, psiquiatras e até fonoaudiólogos.
Esse modelo baseia-se nos novos
modelos lingüísticos,
psicolingüísticos
e sóciolingüísticos
que culminam em alternativas
pedagógicas onde o surdo
possui uma representação
social oposta ao modelo anteriormente
citado.
=>"A
surdez é uma condição
natural e não uma deficiência/doença
que necessita de cura." (Lorena
Koslowski - PR)
=>A
surdez é uma diferença
que deve ser respeitada e aceita.
=>Como
afirma Carlos Sánchez -
lingüista venezuelano: "A
surdez não é uma
doença que necessita de
cura, mas é uma condição
que deve ser aceita. Os surdos
não são inválidos
que precisam de reabilitação.
Eles são membros de uma
comunidade lingüística
minoritária que deve ser
respeitada e possuem o direito
inalienável de receber sua
educação nesta língua." E
ainda ele afirma sobre a criança
surda: "Seu filho é normal;
pode ser inteligente, criativo.
Só que ele fala outra língua".
Algumas
considerações
importantes:
"Preferimos
que aos três, quatro anos
a criança surda construa
frases complexas em língua
de sinais do que produza palavras
isoladas" (Graziella Alisedo
- Argentina - 1994)
"A
educação deve voltar-se
para os potenciais da criança
que podem ser ativados através
da tarefa educativa".(Vygotsky)
"A
língua de sinais é a única
que permite a pessoa surda ascender
a todas as características
lingüísticas da ‘fala’”.
(Danielle Bouvet, França,
1989)
"A
língua de sinais é,
portanto, indispensável
para total apropriação
da linguagem pela criança
surda. Ela permite à criança
surda descobrir o que é comunicação
lingüística no
momento em que todas as crianças
fazem esta descoberta." (LK)
Na
visão sócio-antropolológica:
• deve-se
oportunizar o acesso da criança
surda à língua
de sinais o mais precoce
possível;
• oportunizar
o contato da criança
surda com seu pares surdos
adultos para
permitir a identificação
e o acesso
a particularidades
culturais;
• preocupa-se
com o desenvolvimento das estruturas
cognitivas e lingüísticas
nas
idades correspondentes;
• novo
olhar sobre a educação
de surdos: o conhecimento
formal é acessado
através da língua
de sinais e se
vale de estratégias
que enfatizam o potencial
porque "os
surdos são diferentes
das pessoas ouvintes, necessitam
que toda a instrução
seja baseada na visão
e não na audição." (Patrícia
Luiza Ferreira Pinto
- pedagoga surda -
MG)
Bibliografia:
Fórum
Permanente de Educação,
Linguagem e Surdez - vol.I (Jan./Jun.)
Rio de Janeiro - INES
Surdez:
Abordagem Geral - Karin Lilian
Strobel & Silvania Maia Silva
Dias, 1995 - FENEIS
Série
Audiologia 1,2,3,4 - 1998 - INES
Educação
e Exclusão - Cadernos
de autoria 2 - Carlos Skliar
(Org.) Editora Mediação
La
Educación de Los Surdos
- Carlos Skliar - Série
Manuales - EDIUNC
Apostila: "Atención
Integral del Niño Sordo
de 0 a 6 Anos - Modelo Educativo
Bilingüe y Bicultural" -
Carlos Sánchez - Instituto
de Estudios Interdisciplinarios
Sobre La Sordera y El Lenguaje
(IES) - Puerto Ayacucho - Venezuela
- 1998