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Meu filho está demorando começar a falar. Como posso ajudar?

    Muitos “pais de primeira viagem”, e até mesmo os que já têm outros filhos, possuem dificuldades para saber se seu filho está ou não demorando a falar, e buscam comparações com outras crianças ou orientações com outros pais. Diante disso venho, por meio desse artigo, lhes trazer uma orientação profissional a respeito da fala.
    O primeiro destaque que é necessário realizar é o diferencial de cada criança. Ou seja, cada criança possui seu ritmo de desenvolvimento e de amadurecimento, podendo haver então uma pequena variação no tempo de aquisição da fala. E que o mais importante diante dessa informação é a seqüência de acontecimentos durante esse processo.
    Nos primeiros dias de vida o bebê não produz sons com significados, mas com o passar do tempo sua primeira forma de comunicação é o choro. É por meio dele que ele expressa suas angústias e busca acalento. Um pouquinho mais pra frente, já com dois, três meses aproximadamente, o bebê começa a brincar com os sons, pois esses lhe dão prazer, mas ele ainda não consegue controlá-los muito bem. É interessante notar que até mesmo o bebê surdo brinca assim, pois a sensação tátil que a voz produz é prazerosa até para eles, mas logo depois eles perdem o interesse, e os bebês ouvintes passam a perceber que as outras pessoas lhes respondem.
    E é assim que se inicia o jogo do Balbucio do bebê, ele começa a cantarolar para as pessoas, ri, e espera a resposta. É muito importante o adulto participar dessa gostosa brincadeira e incentivar o bebê a realizar esses sons. Desde o primeiro dia de vida os pais devem conversar com a criança, pois assim haverá estímulos sonoros que proporcionarão o amadurecimento do sistema auditivo.
    O balbucio do bebê, à medida que ele cresce e se desenvolve, vai se diferenciando. O bebê passa a produzir mais sílabas associadas e a melodia começa a se assemelhar à fala do adulto. Nesse período dizemos que o bebê fala em Jargões (fala sílabas comuns à língua que ouve, porém não formam palavras).
    Nesse diferenciar do balbucio surgem, também, as protopalavras, que são expressões (muitas vezes com apenas uma sílaba) que o bebê sempre usa para determinar aquilo que lhe é comum. São palavrinhas inventadas pela criança, e normalmente são usadas para nomear mais de um objeto. O bebê nessa fase já compreende totalmente a fala rotineira do adulto. Ou seja, a criança já compreende o não, e também às ordens simples dos adultos, mesmo antes de completarem um ano de idade.
    Por volta da idade de 1 ano a 1 ano e 6 meses, aproximadamente, a criança já é capaz de usar várias palavras. E em seguida já inicia a combinação de duas palavras justapostas, ou seja, palavras unidas, como por exemplo: “dá bó” para “me dá a bola”. Nesse período a criança também já diferencia perguntas de afirmações.
    Aos dois anos, aproximadamente, a criança forma suas primeiras frases simples, com dois ou três elementos, sendo um deles um verbo, como por exemplo: “cê qué cotu?” para “você quer biscoito?”. Entre 2 anos e meio e 3 anos, aproximadamente, a criança aprende a usar os pronomes da língua e já não mais confunde: eu/você, meu/seu.
    E assim, à medida que há interação com outras pessoas falantes da mesma língua, o sistema fonológico da criança se desenvolve e aprimora, alcançando novas habilidades e novas funções de linguagem. Ou seja, as dificuldades e erros na fala se tornam cada vez menores. À medida que a criança se desenvolve, e a maturidade neurológica é alcançada, ela é capaz de integrar as informações auditivas e a coordenação motora para a correta produção dos sons da fala. Além de realizar uma alto-correção da morfossintaxe da língua a qual está exposta. Isso significa que a criança passa a estruturar melhor as suas frases, construindo um discurso cada vez mais correto.
    Aos seis anos de idade a criança já é capaz de produzir corretamente todos os sons da fala, e está apta para adquirir um novo código de comunicação: a língua escrita.
    Depois da compreensão desse resumo do desenvolvimento da fala, você ainda deve estar se perguntando: Como posso ajudar o meu filho para que atrasos de fala não aconteçam?
    A resposta é: estimule seu filho, converse com ele usando frases simples; brinque com seu filho, divirta-se com ele; descreva as situações que vocês estão vivenciando, transforme as experiências em contos, aproveite esses momentos para nomear objetos, diferenciar cores e formas; introduza palavras novas de tempos em tempos, procure sempre saber se ele compreendeu seu significado dentro do contexto, e se teve dificuldade, explique de forma simples, dando um sinônimo que ele já conhece.
    Nada é mais importante para criança que ter a atenção de seus pais. Então invista em tempo com seus filhos, não tenha medo de brincar, isso é muito importante não só para a criança, mas para toda a convivência familiar. Divirtam-se!

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